Podes tu, com anzol, apanhar o crocodilo ou lhe travar a língua com uma corda?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Podes meter-lhe no nariz uma vara de junco? Ou furar-lhe as bochechas com um gancho?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Acaso, te fará muitas súplicas? Ou te falará palavras brandas?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Fará ele acordo contigo? Ou tomá-lo-ás por servo para sempre?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Brincarás com ele, como se fora um passarinho? Ou tê-lo-ás preso à correia para as tuas meninas?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Acaso, os teus sócios negociam com ele? Ou o repartirão entre os mercadores?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Encher-lhe-ás a pele de arpões? Ou a cabeça, de farpas?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Põe a mão sobre ele, lembra-te da peleja e nunca mais o intentarás.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Eis que a gente se engana em sua esperança; acaso, não será o homem derribado só em vê-lo?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Ninguém há tão ousado, que se atreva a despertá-lo. Quem é, pois, aquele que pode erguer-se diante de mim?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem da graça da sua compostura.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quem lhe abrirá as vestes do seu dorso? Ou lhe penetrará a couraça dobrada?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quem abriria as portas do seu rosto? Pois em roda dos seus dentes está o terror.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

As fileiras de suas escamas são o seu orgulho, cada uma bem-encostada como por um selo que as ajusta.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

A tal ponto uma se chega à outra, que entre elas não entra nem o ar.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Umas às outras se ligam, aderem entre si e não se podem separar.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Cada um dos seus espirros faz resplandecer luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente ou de juncos que ardem.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

No seu pescoço reside a força; e diante dele salta o desespero.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Suas partes carnudas são bem-pegadas entre si; todas fundidas nele e imóveis.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

O seu coração é firme como uma pedra, firme como a mó de baixo.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Levantando-se ele, tremem os valentes; quando irrompe, ficam como que fora de si.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Se o golpe de espada o alcança, de nada vale, nem de lança, de dardo ou de flecha.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Para ele, o ferro é palha, e o cobre, pau podre.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

A seta o não faz fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Os porretes atirados são para ele como palha, e ri-se do brandir da lança.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Debaixo do ventre, há escamas pontiagudas; arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como caldeira de unguento.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Após si, deixa um sulco luminoso; o abismo parece ter-se encanecido.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Na terra, não tem ele igual, pois foi feito para nunca ter medo.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Ele olha com desprezo tudo o que é alto; é rei sobre todos os animais orgulhosos.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)