Respondeu, porém, Jó:

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Ouvi atentamente as minhas razões, e já isso me será a vossa consolação.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Tolerai-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, podereis zombar.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Acaso, é do homem que eu me queixo? Não tenho motivo de me impacientar?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Olhai para mim e pasmai; e ponde a mão sobre a boca;

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

porque só de pensar nisso me perturbo, e um calafrio se apodera de toda a minha carne.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Como é, pois, que vivem os perversos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Seus filhos se estabelecem na sua presença; e os seus descendentes, ante seus olhos.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

As suas casas têm paz, sem temor, e a vara de Deus não os fustiga.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

O seu touro gera e não falha, suas novilhas têm a cria e não abortam.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Deixam correr suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos saltam de alegria;

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

cantam com tamboril e harpa e alegram-se ao som da flauta.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Vede, porém, que não provém deles a sua prosperidade; longe de mim o conselho dos perversos!

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos perversos? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus na sua ira lhes reparte dores?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a pragana arrebatada pelo remoinho?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Deus, dizeis vós, guarda a iniquidade do perverso para seus filhos. Mas é a ele que deveria Deus dar o pago, para que o sinta.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Seus próprios olhos devem ver a sua ruína, e ele, beber do furor do Todo-Poderoso.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Porque depois de morto, cortado já o número dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo,

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

com seus baldes cheios de leite e fresca a medula dos seus ossos.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Vede que conheço os vossos pensamentos e os injustos desígnios com que me tratais.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Porque direis: Onde está a casa do príncipe, e onde, a tenda em que morava o perverso?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Porventura, não tendes interrogado os que viajam? E não considerastes as suas declarações,

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

que o mau é poupado no dia da calamidade, é socorrido no dia do furor?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Quem lhe lançará em rosto o seu proceder? Quem lhe dará o pago do que faz?

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Os torrões do vale lhe são leves, todos os homens o seguem, assim como não têm número os que foram adiante dele.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)

Como, pois, me consolais em vão? Das vossas respostas só resta falsidade.

Almeida Revisada e Atualizada (1993)